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Aposentou? E agora José?

Atualizado: 7 de jun. de 2021



Largue-se e você será muito mais do que jamais sonhou ser.” - Janis Joplin

José E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José? E agora, José? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio — e agora? Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora? Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse... Mas você não morre, você é duro, José! Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José! José, para onde?


O poema José, de Carlos Drummond de Andrade foi publicado originalmente em 1942 e ainda está vivo em muitas vidas sexagenárias. Ilustra o sentimento de solidão e abandono, a sua falta de esperança e a sensação de que está perdido na vida, sem saber que caminho tomar.


Fazendo uma alusão ao poema em relação à momentos após aposentadoria, depois da exaltação ao “aposentei”, “parei de trabalhar”, “agora sou dono(a) do meu tempo”, e tantos outros termos que usamos quando finalmente conseguimos a tão sonhada aposentadoria, posso afirmar que chegar aos 60 anos pode ser encarado como o fechamento de um ciclo, e abertura de um novo ciclo.


Nossa vida é formada por ciclos ou fases. Primeiro a Infância, depois vem adolescência, a fase adulta, a terceira idade ou melhor idade, como muitos gostam de enfatizar.


Em todas essas fases sofremos nas transições, com sentimentos de perca e ao mesmo tempo de ganho de algo que nem sequer conhecemos. Mas isso é normal se pensarmos em ciclos. Todas as vezes que fechamos um ciclo, temos a sensação de término, de abandono, de perca. E quando abrimos um novo ciclo, os sentimentos renovam, com a sensação de ganho, de acolhimento, de esperança de um futuro melhor.


Assim devemos encarar a aposentadoria, à nova fase, a esse novo ciclo que se abre para nos reinventarmos, crescermos como pessoa, sermos mais felizes, pois agora temos tempo e experiência suficiente para explorar novas coisas, novas amizades, novos negócios, novas culturas, novos lugares e com isso se redescobrir, crescer e ser feliz.


Por Malu Iasuki

Coach e Mentora em Negócios

Especialista em Gestão Financeira e Lucratividade


"O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós." - Jean-Paul Sartre


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